sexta-feira, 6 de maio de 2016

TIPOLOGIA TEXTUAL E GÊNERO TEXTUAL I

Primeiramente temos que ter um domínio claro do que significa a diferença entre Tipologia Textual de gênero textual para que consigamos conversar sobre o tema desta postagem. Para isso, costumo fazer uma analogia sobre essa temática. Imagine uma cômoda com cinco gavetas.



Cada gaveta representa uma tipologia textual: NARRAR, RELATAR, ARGUMENTAR, EXPOR CONHECIMENTO e INSTRUIR. Sabendo disso, temos que abrir a gaveta e descobrir uma variedade de gêneros lá dentro. Muitos de nós não sabemos a diferença entre NARRAR de RELATAR. Simples! Ambos narram uma história. No entanto, NARRAR significa contar uma história ficcional; enquanto RELATAR expressa a ideia de contar uma história real. 

Conforme ia mostrando - e acabei não fazendo -, temos que abrir uma gaveta e descobrir o que há lá dentro. Quando falamos sobre textos que têm o objetivo de NARRAR uma história ficcional, logo nos lembramos dos gêneros (sem que liguemos o nome à pessoa). Os gêneros textuais que NARRAM, dentre muitos, são: Conto maravilhoso, fábula, lenda, conto, romance, novela, poema, peça teatral, piada, adivinha.

Hoje mesmo, dando aula, contei uma piada de loira (gostaria de ressaltar que sou péssimo contador de piadas e minha melhor amiga é loira). Veja:

"Um avião está a caminho de Toronto, quando uma loira da classe econômica se levanta, caminha para a primeira classe e senta-se ali. A comissária de bordo observa o que ela faz, e pede para ver a sua passagem. Diz que ela pagou classe econômica e que deveria se sentar nos fundos. A loira responde:
- Sou loira, bonita, estou indo para Toronto e vou permanecer aqui mesmo.
A comissária vai até à cabine e fala ao piloto e copiloto que tem uma loira boazuda sentada na primeira classe, que deveria estar na classe econômica e não quer voltar para seu assento.
O copiloto vai até à loira e tenta explicar que ela pagou pela classe econômica e que deveria sair dali e retornar para seu assento.
A loira responde:
-Sou loira, bonita, estou indo para Toronto e vou permanecer aqui mesmo.
O copiloto diz ao piloto que deveriam ter a polícia esperando quando eles aterrassem para prender esta mulher loira que não queria cooperar.
O piloto diz:
-Você disse que ela é loira? Eu vou falar com ela, sou casado com uma loira. Eu falo 'loirês'.
Ele vai até à loira e sussurra algo em seu ouvido, e ela diz, oh.... desculpe . Levanta-se e volta para o seu assento na classe econômica.
A comissária e o copiloto estão boquiabertos, perguntaram a ele o que ele disse para fazê-la mudar sem nenhuma frescura?
Eu disse a ela:
-A primeira classe não está indo para Toronto."

Risadas de alguns a parte, a meninada começou a fazer "piadas":

"Por que a cobra não gosta de escova?"
Resposta: "Porque ela gosta de serpente"

Animados, ao final de várias perguntas, questionei a eles que eu tinha feito uma piada, e eles tinham feito outro gênero textual. Pesquisando os manuais, e intrigados com o acontecimento, chegaram à conclusão de que eu lhes tinha contado uma piada - com enredo - e eles me tinham contado uma ADIVINHA.

Num outro momento de nossa aula, já partindo para a gaveta do RELATO, solicitei que eles me exemplificassem textos que tem por finalidade relatar fatos reais. Feito isso, me exemplificaram: CRÔNICA, NOTÍCIA, REPORTAGEM. A partir disso, perguntei para os estudantes se eles acreditavam que o relato que eu faria em seguida se tratava de uma notícia.

"Naquela noite escura de um severo inverno, Joaquina de Mesquita Paiva andava pela rua lúgubre da Vila do Cachorro Sentado, quando um homem a abordou e a apunhalou com golpes banhados de lua. Em seguida, a moça já tinha se transformado em chuva. Procura-se pelo suspeito"

Evidentemente que os meninos disseram que aquilo não era uma notícia uma vez que os elementos pertenciam à gaveta da NARRAÇÃO.

O bacana também é pensar que na linguagem falada ninguém narraria ou relataria de tal modo. Portanto, sabemos que a linguagem literária é peculiar. Jamais encontraríamos uma placa de ônibus com o anúncio "AQUI O TEU COLETIVO APORTA E SEGUE PELA ESTRADA DA VIDA"

Para finalizar essa primeira postagem, é importante ressaltar que a maioria dos gêneros textuais tem sua versão na linguagem oral. Com isso, prometo que na próxima postagem falaremos mais sobre esse câmbio entre a língua escrita e a língua falada. Ah! E explicarei - aos poucos - sobre as outras gavetas.




2 comentários:

  1. Muito criativo e esclarecedor!

    Estás de parabéns professor!

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  2. muito bom, textos e bem humorados e que ajudam a compreender o assunto.

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